Vocalista do NX Zero, Di Ferrero recorre à autocrítica para comparar o estágio atual da banda – que lançou o CD "Em comum" – aos tempos em que o quinteto estava na linha de frente do emo. "A guitarra queria ficar solando o tempo inteiro, eu queria ficar cantando alto – o mais alto possível –, a batera queria ficar fazendo virada o tempo inteiro...", descreve, ao se lembrar do modo de alguns anos atrás. Em entrevista ao G1 por telefone, ele assume a insegurança da época. Durante a conversa, Ferrero menciona outras referências em tese improváveis, como Chico Buarque, que foi uma das referências para a música "Maré", também presente no novo trabalho.
Dentre os outros artistas listados pelo cantor, estão o Skank e o Paralamas do Sucesso, que seriam inspiração para que o NX Zero se mantenha na ativa por longo tempo: "O Skank marcou várias gerações. São um exemplo de música boa e de carreira". Sobre seu próprio grupo, Di Ferrero diz que não está no auge criativo. "Eu acho que é um auge de desprendimento criativo", corrige. Leia, a seguir, os principais trechos:
G1 – Logo na primeira música de 'Em comum', você menciona Zeca Pagodinho. É só pela citação ou você quer deixar claro que o NX se filia a outros gêneros além do rock?
Di Ferrero – A real é que essa música fala de deixar rolar mesmo, de se desprender, esquecer, curtir. Porque tinha algumas letras nossas que são muito sérias, e essa é totalmente o oposto disso. Lembrei do Zeca por ele ser o Zeca e por ter uma música em que ele fala “deixa a vida me levar”. Acho que muita gente vai ouvir e falar que tem outras paradas que a gente escuta, porque realmente tem. Sempre teve, mas a gente nunca conseguiu pôr em prática essas coisas, acho que por não ser maduro o suficiente. Esse disco é da hora por isso. Principalmente nas letras, ele é diferente dos outros, porque antes eu tinha que passar por alguma coisa para escrever. E agora eu simplesmente escrevi, inventei algumas coisas, ou tirei, sei lá, de algum filme que vi. Eu não conseguia fazer isso antes.
G1 – Vocês ainda se incomodam quando dizem que a banda é de emocore?
Di Ferrero – Antes, quando falavam, eu não gostava. Hoje em dia, é uma coisa que já passou. Eu até acho legal ter passado isso – sabe? –, ter acontecido essa época em que a galera rotulava. Todo mundo teve franja, e isso era uma coisa meio “nossa, o NX Zero isso, aquilo”. Depois de dez anos, a gente está aí podendo lançar um disco totalmente desprendido de qualquer coisa... A gente dá risada e acha legal [risos].